Escritas

Soneto do Pregador Pecador

Bocage
Bojudo fradalhão de larga venta,
Abysmo immundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na sciencia burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:

No pulpito um domingo se apresenta;
Préga nas grades espantoso murro;
E acalmado do povo o gran sussurro
O dique das asneiras arrebenta.

Quatro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas
Um peccador dos mais desaforados:

«Não (diz uma) tu, padre, não me engodas:
Sempre me ha de lembrar por meus peccados
A noute, em que me deste nove fodas!»
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Comentários (2)

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Luis Rodrigues
Luis Rodrigues
2021-08-21

Agradeço a chamada de atenção.<br />Há muitas vezes, versões diferentes na conversão de português clássico para português contemporâneo.<br />O poema foi alterado para respeitar a grafia do que foi publicado em 'Poesias eroticas, burlescas e satyricas'

F Costa
F Costa
2021-08-21

Erros: "hé-de lembrar" não é nada. Bocage escreveu : "Sempre me há de lembrar". Além disso não é "pregas nas grades" mas sim "prega nas grades".