Pedro, lembrando Inês
Em quem pensar,agora,senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
dizer:"Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem,sermos o que sempre fomos,mudarmos
apenas dentro de nós próprios?"Mas ensinaste-me
a sermos dois;e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide.Mas é isto o amor:
ver-te mesmo quando te não vejo,ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios,mesmo
esse que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo,para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba.Como gosto,meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar:com
a surpresa dos teus cabelos,e o teu rosto de água
fresca que eu bebo,com esta sede que não passa.Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti,como
gostas de mim,até ao fundo do mundo que me deste.
Comentários (6)
No poema Pedro, lembrando Inês, o eu-lírico declara o seu amor numa linguagem simples e autêntica. Um homem apaixonado que vai recordando e descrevendo imagens ou acontecimentos,que evocam a memória da sua amada, numa tentativa de resgatar o que lhes foi roubado. Essas lembranças atingem um extremo fascínio ou deslumbramento. O amor que os une é mais forte que a solidão que os separa. Existe uma cadência harmónica que produzem uma leveza, mesmo quando permeia o sofrimento de não ter mais sua amada em seus braços no presente e não a terá no futuro. A natureza como cenário traz a presença dela em tudo.
Não gostei tem que fazer outravez
Quais sao as caracteristicas da poesia de Nuno Júdice, necessito para um trabalho, no entanto nunca li muitas obras do mesmo.
Alguém me consegue fazer uma análise deste poema, como tema e assunto? Por favor, preciso muito
"Ver-te mesmo quando não te vejo, ouvir a ta voz que abre a fonte de todos os rios". É a antítese numa isotopia divina. O espírito humano busca 'comprehendere' o belo. Porque o Belo está em Deus. A beleza humana é perfeita quando é adequada à ideia que dela tinha a divindade. "(...) com a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água fresca que eu bebo". A Beleza tem de ser como a água que "é tanto melhor quanto menos gosto tem". Tem a haver com o Amor porque Deus também é Amor. Só por si o Amor não conquista tudo como se depreende: nem o tempo nem a solidão.
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