Escritas

Murmúrios do mar

José Tolentino Mendonça Ano: 1927
"Paga-me um café e
conto-te a minha vida" o inverno avançava
nessa tarde em que te ouvi assaltado por dores
o céu quebrava-se aos disparos de uma criança
muito assustada que corria o vento batia-lhe no
rosto com violência a infância inteira disso me
lembro outra noite cortaste o sono da casa
com frio e medo apagavas cigarros nas palmas das
mãos e os que te viam choravam mas tu
,não,nunca choraste por amores que se perdem os
naufrágios são belos sentimo-nos tão vivos entre as
ilhas ,acreditas? E temos saudades desse mar
que derruba primeiro no nosso corpo tudo o que
seremos depois "pago-te um café se me contares
o teu amor"


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Comentários (1)

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Lurdes Pucarinho
Lurdes Pucarinho
2022-05-26

Agora, com evoluções tão magníficas e retrocessos tão dolorosos, o Poema salva vidas, tal SNS da alma, trata, cuida, ajuda a curar aquela dor mais funda... Grata Poeta!