Escritas

Encontro

Almada Negreiros
Que vens contar-me

se não sei ouvir senão o silêncio?

Estou parado no mundo.

Só sei escutar de longe

antigamente ou lá para o futuro.

É bem certo que existo:

chegou-me a vez de escutar.

Que queres que te diga

se não sei nada e desaprendo?

A minha paz é ignorar.

Aprendo a não saber:

que a ciência aprenda comigo

já que não soube ensinar.

O meu alimento é o silêncio do mundo

que fica no alto das montanhas

e não desce à cidade

e sobe às nuvens que andam à procura de forma

antes de desaparecer.

Para que queres que te apareça

se me agrada não ter horas a toda a hora?

A preguiça do céu entrou comigo

e prescindo da realidade como ela prescinde de mim.

Para que me lastimas

se este é o meu auge?!

Eu tive a dita de me terem roubado tudo

menos a minha torre de marfim.

Jamais os invasores levaram consigo as nossas

torres de marfim.

Levaram-me o orgulho todo

deixaram-me a memória envenenada

e intacta a torre de marfim.

Só não sei que faça da porta da torre

que dá para donde vim.

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Comentários (4)

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Angelo Costa
Angelo Costa
2020-02-29

Simples e transcendente

Alma  e Gort
Alma e Gort
2013-09-24

Lindo poema Aplausos<br /> Estou transferindo meus poemas rapidamente, porque o site Avspe vai fechar. Descupem a invas&atilde;o r&aacute;pida.

Bruna Isabel
Bruna Isabel
2013-09-23

Um poema lindo,muito sentimental e perfeito mesmo

o sacante
o sacante
2012-01-23

&Eacute;s boe podre,n&atilde;o prestas,es uma seca vai para casa praticar a poesia.