Escritas

Pelo Alto Alentejo-2

Alexandre O'Neill
Meto butes á inteira planura.
Esboroa-se a terra.Lá pra trás,
sobraram o paleio e a literatura.
Aqui,na aparência,só a paz.

Mas que paz se desdobra a toda a anchura
do horizonte a que o olhar se faz?
Esta página em branco(ou sem leitura)
não terá uma chave por detrás?

Eu sei ler a cidade,mas,aqui,
sou um dedo parado em letra morta.
Uma guerra haverá,como o alibi
da paisagem que a outras me transporta.

Hei-de voltar pra ler e presumir,
quando Alentejo se puser a rir ...

in:Entre a Cortina e a Vidraça(1972)

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