Escritas

Fausto

Carlos Felipe Moisés
O dedo em riste
aponta o horizonte
e o ódio persiste
no rosto bifronte.

Morde e remorde
a própria língua,
mal ouve o acorde
esvaído à míngua.

A sanha incontida
arde e devora,
em dura lida,
o peito que chora.

O próprio sangue
escorre, incapaz
de aplacar, exangue,
a sede voraz.

O acorde a cantar.
O corpo é uma chama
e espalha no ar
o ódio que ama.

(Subsolo, São Paulo, Massao Ohno, 1989)

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