De um Tema de Ronsard
Artur Eduardo Benevides
Por que, tão bela sendo, me maltratas,
Se sabes que me dóis e me magoas
E me deixas igual a essas pessoas
De almas quase errantes, inexatas?
Abri-te a porta e a vida, mas me matas
E não ouves as súplicas e loas.
Eu te daria tantas cousas boas,
Mas te afastas qual som de serenatas.
A vida é curta, Amada, para tudo.
O tempo fica logo tão desnudo
Que brilho, e sonho, e viço — tudo passa.
Só temo que se um dia resolveres
Aceitar de uma vez os meus quereres
Eu já seja, num cais, velha barcaça.
Se sabes que me dóis e me magoas
E me deixas igual a essas pessoas
De almas quase errantes, inexatas?
Abri-te a porta e a vida, mas me matas
E não ouves as súplicas e loas.
Eu te daria tantas cousas boas,
Mas te afastas qual som de serenatas.
A vida é curta, Amada, para tudo.
O tempo fica logo tão desnudo
Que brilho, e sonho, e viço — tudo passa.
Só temo que se um dia resolveres
Aceitar de uma vez os meus quereres
Eu já seja, num cais, velha barcaça.
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