Soneto Patético
Luís António Cajazeira Ramos
Acordo para um mundo novo no jornal.
Notícias junto ao hálito acre da manhã.
Espreguiçadamente explode a realidade.
O sonho se desfaz nas cores do papel.
Refaço o mundo com exercício matinal.
Lavo os dentes, sorrio, a vida fica sã.
Precipito-me às ruas e ganho a cidade.
Refugio-me no trabalho — há paz como um véu.
As horas vão... e a tarde cinza fica escura.
O dia chega compassadamente ao fim.
A vida, que gritava, agora só murmura.
Tranco-me em casa, e o mundo sangra na TV.
Sangue do meu sangue, tudo se esvai. Enfim,
durmo, não sei quem te viu, não sei quem me vê.
Notícias junto ao hálito acre da manhã.
Espreguiçadamente explode a realidade.
O sonho se desfaz nas cores do papel.
Refaço o mundo com exercício matinal.
Lavo os dentes, sorrio, a vida fica sã.
Precipito-me às ruas e ganho a cidade.
Refugio-me no trabalho — há paz como um véu.
As horas vão... e a tarde cinza fica escura.
O dia chega compassadamente ao fim.
A vida, que gritava, agora só murmura.
Tranco-me em casa, e o mundo sangra na TV.
Sangue do meu sangue, tudo se esvai. Enfim,
durmo, não sei quem te viu, não sei quem me vê.
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