Escritas

CEMITÉRIO DO ARAÇÁ

Augusto Massi
Quando ainda era menino,
voltava calado pra casa,
margeando teu muro alto.
Era o melhor dos vizinhos.

Habituado a jogar futebol
na rua que dava pros fundos,
estranhava: por que as bolas
não voltavam do teu mundo?

Quantas vezes fui comprar
flores na Doutor Arnaldo,
paradoxo confinado à data:
os aniversários da morte.

Você resistiu ao cerco
da cidade que cresceu
(eu também cresci)
sempre à tua volta.

Repisando nosso passado,
hoje, afinal, te visito.
busco meu pai enterrado
dentro do teu labirinto.

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