Escritas

O tumulto concentrado da minha imaginação intelectual...

Fernando Pessoa Ano: 597
O tumulto concentrado da minha imaginação intelectual...

Fazer olhos à razão prática, como os crentes enérgicos...

Minha juventude perpétua
De viver as coisas pelo lado das sensações e não das responsabilidades.

(Álvaro de Campo, nascido no Algarve, educado por um tio-avó,
padre, que lhe instilou um certo amor às coisas clássicas.) (Veio
para Lisboa muito novo...)

A capacidade de pensar o que sinto que me distingue do homem vulgar
Mais do que ele se distingue do macaco.
(Sim, amanhã o homem vulgar talvez me leia e compreenda a substância do meu ser,
Sim, admito-o,
Mas o macaco já hoje sabe ler o homem vulgar e lhe compreende a substância do ser).

Se alguma coisa foi porque é que não é?
Ser não é ser?

As flores do campo da minha infância, não as terei eternamente,
Em outra maneira de ser?
Perderei para sempre os afectos que tive, e até os afectos que pensei ter?
Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta,
E me possa abrir com razões a inteligência do mundo?
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