E esse tempo de que necessita um indivíduo – como me aconteceu a mim com essa Sonata – para penetrar uma obra um tanto profunda é como um resumo e símbolo dos anos e às vezes dos séculos que têm de transcorrer até que o público possa amar uma obra-prima verdadeiramente nova. Talvez por isso considere o homem de gênio, para se poupar às incompreensões da multidão, que, visto faltar aos contemporâneos a necessária distância, as obras escritas para a posteridade só a posteridade as deveria ler, tal como sucede com certas pinturas, mal apreciadas quando vistas de muito perto.
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