Retrato próprio
Bocage
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:
Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:
Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.
Comentários (4)
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Jay Love
2023-12-12
Isso é porque não compreendes ainda o brilho, o esplendor, a parvoíce e o deboche que são os sonetos do Bocage.<br />Maior sonetista em Língua Portuguesa, de longe.
Sofia Mello Bocage
2021-06-21
Tou a dar este texto em português e tá me a dar dores de cabeça
Gama WNTD
2021-06-10
Eu só sinto Borboletas a mexer cá dentro
Rei leao
2021-05-26
Amei
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