Escritas

LIBERDADE

Fernando Pessoa Ano: 607
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
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Comentários (8)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2024-03-27

A liberdade é sublime , na escrita ou não... bom saber que Jesus cristo nada sabia de finanças. e as crianças o admiravam. ademir o poeta.

slamanski
slamanski
2022-08-12

por acaso vc sabe o numero da pagina?<br />

Yasmin
Yasmin
2021-12-03

O poema tem como objetivo relatar fé formas diferentes o sentido de liberdade:seja não ter um dever á fazer ou um livro á ler,ou de forma mais natural, a brisa ,o sol, a música , o luar.

Manu
Manu
2021-12-03

O primeiro parágrafo já mostra Fernando falando sobre a liberdade, que eu parece muito com a questão dos estudantes. Que é: “tenho algo pra fazer, mas não vou porque tenho o dia todo pra fazer e não preciso ter pressa”. O que me chamou a atenção também foi quando ele falou de Dom Sebastião, porque é incerto esperar por ele, e a pessoa pode ficar esperando a sua chegada ou simplesmente não se importar com isso. <br />

Caique
Caique
2021-12-03

O poema fala sobre o prazer de não fazer um dever, a sensção de liberdade ao fazer isso. A liberdade pode ser explicado como o rio, o sol, a lua as flores, a música e as crianças