Escritas

No obscuro desejo

Vasco Graça Moura
no obscuro desejo, 
no incerto silêncio, 
nos vagares repetidos, 
na súbita canção 

que nasce como a sombra 
do dia agonizante, 
quando empalidece 
o exterior das coisas, 

e quando não se sabe 
se por dentro adormecem 
ou vacilam, e quando 
se prefere não chegar 

a sabê-lo, a não ser, 
pressentindo-as, ainda 
um momento, na aresta 
indizível do lusco-fusco.