Escritas

VIDA

Vicente Aleixandre
Um pássaro de papel no peito

diz que o tempo dos beijos não chegou;

viver, viver, o sol invisivel crepita,

beijos ou pássaros, tarde ou cedo ou nunca.

Para morrer basta um pequeno ruído,

o de outro coração ao calar-se,

ou esse regaço alheio que na terra

é um barco dourado para os cabelos louros.

Cabeça dolorida, têmporas de ouro, sol que declina:

aqui na sombra sonho com um rio,

juncos de verde sangue que neste instante nasce,

sonho apoiado em ti, calor ou vida.



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