Escritas

Castigo pró combioio malandro

António Jacinto
Comboio malandro
O fogo que sai no corpo dele
Vai no capim e queima
Vai nas casas dos pretos e queima
Esse comboio malandro
Já queimou o meu milho

Se na lavra do milho tem pacacas
Eu faço armadilhas no chão,
Se na lavra tem kiombos
Eu tiro a espingarda de kimbundo
E mato neles
Mas se vai lá fogo do malandro
- Deixa!-
Uéuéué
Te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
Só fica fumo,
Muito fumo mesmo.

Mas espera só
Quando esse comboio malandro descarrilar
E os brancos chamar os pretos p´ra empurrar
Eu vou
Mas não empurro
- Nem com chicote -
Finjo só que faço força
Aka!

Comboio malandro
Você vai ver só o castigo
Esse comboio malandro
passa
passa sempre com a força dele
ué ué ué
hii hii hii
te-quem-tem te-que-tem te-quem-tem

o comboio malandro
passa

Nas janelas muita gente
ai bo viaje
adeujo homéé
n'ganas bonitas
quitandeiras de lenço encarnado
levam cana no Luanda pra vender

hii hii hii

aquele vagon de grades tem bois
múu múu múu
tem outro
igual como este de bois
leva gente,
muita gente como eu
cheio de poeira
gente triste como os bois
gente que vai no contrato

Tem bois que morre no viaje
mas o preto não morre
canta como é criança
"Mulonde iá késsua uádibalé
uádibalé uádibalé...'"

esse comboio malandro
sòzinho na estrada de ferro
passa
passa
sem respeito
ué ué ué
com muito fumo na trás
hii hii hii
te-quem-tem te-quem-tem te-quem-tem
Vai dormir mesmo no meio do caminho.
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Comentários (4)

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Sonia
Sonia
2024-04-10

Grande poema <br />Amei muito

Sonia
Sonia
2024-04-10

Grande poema <br />Amei muito

Francisco
Francisco
2016-04-28

grande escritor

Onell Costa
Onell Costa
2015-09-19

muito bom.