Escritas

O choro de África

Agostinho Neto
O choro durante séculos
nos seus olhos traidores pela servidão dos homens
no desejo alimentado entre ambições de lufadas
românticas
nos batuqueschoro de África
nos sorrisos choro de África
nos sarcasmos no trabalho de África

Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal
meu irmão Nguxi e amigo Mussunda
no círculo das viol6enias
mesmo na magia poderosa da terra
e da vida jorrante das fontes e de toda parte e de
todas as almas
e das hemorragias dos ritmos das feridas de África
e mesmo na morte do sangue ao contacto com o chão
mesmo no florir armoatizado da floresta
mesmo na folha
no fruto
na agilidade da zebra
na segura do deserto
na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos
mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens

O choro de séculos
inventado na servidão
em histórias de dramas negros almas brancas preguiças
e espíritos infantis de África
as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas

O choro de séculos
onde a verdade violentada se estiola ao círculo de
ferro
da desonesta força
sacrificadora dos corpos cadaverizados
inimiga da vida
fechada em estreitos cérebros da máquinas de contra
na violência
na violência
na violência

O choro de África é um sintoma

Nós teremos em nossas mãos outras vidas e alegrias
desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas
- por nós!

E amor
e os olhos secos.
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Comentários (3)

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Quantas estrofes tem
Quantas estrofes tem
2024-03-20

Quantas estrofes tem

Duza
Duza
2021-08-17

Há alguns trechos faltando e erros ortográficos no poema:<br /><br />O choro de África<br /><br />O choro durante séculos<br />nos seus olhos traidores pela servidão dos homens<br />no desejo alimentado entre ambições de lufadas românticas<br />nos batuques choro de África<br />nos sorrisos choro de África<br />nas fogueiras choro de África<br />nos sarcasmos no trabalho na vida choro de África<br /><br />Sempre o choro mesmo na vossa alegria imortal<br />meu irmão Nguxi e amigo Mussunda<br />no círculo das viol6enias<br />mesmo na magia poderosa da terra<br />e da vida jorrante das fontes e de toda parte e de todas as almas<br />e das hemorragias dos ritmos das feridas de África<br />e mesmo na morte do sangue ao contacto com o chão<br />mesmo no florir aromatizado da floresta<br />mesmo na folha<br />no fruto<br />na agilidade da zebra<br />na secura do deserto<br />na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos<br />mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens<br /><br />O choro de séculos<br />inventado na servidão<br />em histórias de dramas negros almas brancas preguiças<br />e espíritos infantis de África<br />as mentiras choros verdadeiros nas suas bocas<br /><br />O choro de séculos<br />onde a verdade violentada se estiola ao círculo de ferro<br />da desonesta força<br />sacrificadora dos corpos cadaverizados<br />inimiga da vida<br />fechada em estreitos cérebros da máquinas de contar<br />na violência<br />na violência<br />na violência<br /><br />O choro de África é um sintoma<br /><br />Nós teremos em nossas mãos outras vidas e alegrias<br />desmentidas nos lamentos falsos de suas bocas<br />- por nós!<br /><br />E amor<br />e os olhos secos.

joana
joana
2021-03-05

bacana