Bebido o Luar, Ébrios de Horizontes
Sophia de Mello Breyner Andresen
•
Ano: 1790
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Porquê jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Porquê jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Porquê o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Comentários (3)
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Pedro Costa Lima
2023-08-18
A bipolaridade harmônica contida no poema foi uma das ferramentas mais eficientes e esteticamente belas de mostrar a nossa natureza. A forma genialmente minimalista que a autora usa o conceito de expectativa e realidade é fascinante, enfim, uma experiência poética obrigatoriamente recomendável, parabéns a autora.
Pedro Costa Lima
2023-08-18
A bipolaridade harmônica contida no poema foi uma das ferramentas mais eficientes e esteticamente belas de mostrar a nossa natureza. A forma genialmente minimalista que a autora usa o conceito de expectativa e realidade é fascinante, enfim, uma experiência poética obrigatoriamente recomendável, parabéns a autora.
josé viegas
2016-09-10
Desculpe, mas só os mortos não compartilham o mundo exteror, seja ele bom ou mau.
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