Escritas

Acrobata da Dor

Cruz e Sousa
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.


Publicado no livro Broquéis (1893).

In: SOUSA, Cruz e. Poesia completa. Introd. Maria Helena Camargo Régis. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 198
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Comentários (4)

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Gumma
Gumma
2020-04-06

Olá amigos! Estou musicando alguns poemas do Cruz e Sousa. Para aqueles que dele gostam segue o link https://soundcloud.com/gumma87/sets/sounds-of-cruz-e-sousa

alguem
alguem
2020-03-06

clbc mano

biridin
biridin
2020-03-06

very gu naici beibi..entendi nada tbm :)

 Lindo123
Lindo123
2019-04-09

incrível que Deuso tenha morreu tão cedo