Escritas

Em Custódia

Olavo Bilac
Quatro prisões, quatro interrogatórios...
Há três anos que as solas dos sapatos
Gasto, a correr de Herodes a Pilatos,
Como Cristo, por todos os pretórios!

Pulgas, baratas, percevejos, ratos...
Caras sinistras de espiões notórios...
Fedor de escarradeiras e micróbios...
Catingas de secretas e mulatos...

Para tantas prisões é curta a vida!
— Ó Dutra! Ó Melo! Ó Valadão! Ó diabo!
Vinde salvar-me! Vinde em meu socorro!

Livrai-me desta fama imerecida,
Fama de Ravachol, que arrasto ao rabo,
Como uma lata ao rabo de um cachorro.


In: CARVALHO, Afonso de. Bilac: o homem, o poeta, o patriota. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1942. p.5
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Comentários (1)

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Miguel Jackson de Araujo Felipe
Miguel Jackson de Araujo Felipe
2016-09-13

Meu pai tem uma memória extraordinária do alto dos seus 93 anos. Hoje cedo de cor e salteado lembrou deste soneto de Olavo Bilac em referência ao cassado Eduardo Cunha.