Escritas

Língua Portuguesa

Olavo Bilac
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


Publicado no livro Tarde (1919).

In: BILAC, Olavo. Poesias. Posfácio R. Magalhães Júnior. Rio de Janeiro: Ediouro, 197
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Comentários (18)

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Elisângela Santana dos Santos
Elisângela Santana dos Santos
2026-02-15

É um poema q exalta a grandeza e a beleza da língua portuguesa. Com palavras exóticas e até mesmo curiosas.

CLAUDENICE CUSTÓDIO
CLAUDENICE CUSTÓDIO
2026-02-10

O POEMA FALA DE COMO É LINDA A LINGUA PORTUGUESA E DA SUA RIQUEZA; AO MESMO TEMPO QUE É DELICADA TAMBÉM PODE SER RUDE.A LINGUA PORTUGUESA EXPRESSA A IDENTIDADE CULTURAL.

Viviane Costa De Souza Azeredo.
Viviane Costa De Souza Azeredo.
2025-09-13

Este poema retrata que a língua portuguesa é rica, profunda e afetuosa, uma verdadeira herança cultural e emocional .

Thaís Kelly Gomes v.
Thaís Kelly Gomes v.
2025-08-13

O Poema de Olavo Bilac, é um dos mais conhecidos sonetos do autor e faz parte do movimento Parnasiano no Brasil, marcado por forte preocupação estética, rigor formal e valorização da forma perfeita.

Sandro O. Santos
Sandro O. Santos
2025-04-05

O poema é escrito em um soneto clássico, com 14 versos distribuídos em 2 quartetos e 2 tercetos