Escritas

Beijo de Mãe

Paulo Eiró
Quando meu peito continha
Um coração inocente,
No regaço providente
De minha mãe repousei:
Ela, então, mal respirando,
Beijou-me, e eu acordei...

Depois, no peito bateu-me
O coração, violento:
Comovida, sem alento,
Outra mulher me beijou:
Esse férvido contato
Que eternidade selou!

Agora, tenho saudades
De meu berço, entre mil ais;
Lembro os risos maternais
E aquele afago inocente,
Porque, em lábios de mulher,
Só beijo de mãe não mente.


Poema integrante da série Lira e Mocidade, 1854/1855.

In: SCHMIDT, Affonso. A vida de Paulo Eiró: seguida de uma coletânea inédita de suas poesias. Org. pref. e anotada José A. Gonsalves. Il. Wasth Rodrigues. São Paulo: Ed. Nacional, 1940. p.151-270. (Biblioteca pedagógica brasileira. Série 5. Brasiliana, 182
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Comentários (1)

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Emanuel Lima
Emanuel Lima
2015-07-25

Um excelente poema