Escritas

Boxe

Sérgio Milliet
Para Oswaldo de Andrade


Glórias do ring
Descarga elétrica
diz o vizinho que o swimg fulminou
Carpentier! Carpentier! Carpentier!
E o campeão sorri ao lado do Ursus estendido
Eis Siki desafiante no tablado
e o hino nacional das ovações.
Músculos aços braços sem cansaços
O século vibra todo
na elegância desse xeque-mate
Fora o xadrez e os bilhares de ventres prudentes
as folhas mortas e os decadentes
Renascimento das Espartas sadias
para brilhos nunca dantes inventados
E temos o direito de parodiar Camões
porque somos os clássicos do futuro
ou no mínimo o futuro dos clássicos
(Boa piada!)


Publicado no livro Poemas Análogos (1927). Poema integrante da série Poemas Análogos.

In: MILLIET, Sérgio. Poesias. Porto Alegre: Livr. do Globo, 1946. p.44. (Autores brasileiros, 19
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