Escritas

Velha Anedota

Artur de Azevedo
Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;

Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:

— Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso? —

Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: — Juízo. —


In: AZEVEDO, Artur. Sonetos e peças líricas. Pref. Julio de Freitas J. Rio de Janeiro: Garnier, s.d
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Comentários (6)

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Enirtong52@gmail.com
Enirtong52@gmail.com
2025-10-23

Esse poema aprendi no primário numa escola Lassalista nos anos 63/64. Ainda guardo na memória a primeira parte do poema.

Enirtong52@gmail.com
Enirtong52@gmail.com
2025-10-23

Esse poema aprendi no primário numa escola Lassalista nos anos 63/64. Ainda guardo na memória a primeira parte do poema.

Adelina
Adelina
2025-05-20

Esse poema me traz lembranças agradáveis lua muito na adolescência, hoje lembrei dele não sei pq

ondina bomfim da silva
ondina bomfim da silva
2021-11-17

nosso presidente está bem representado neste poema "Velha Anedota" - autor: arthur de azevedo

Iuri Pinto
Iuri Pinto
2020-08-02

Meu avô recitava. Saudades!!