Escritas

Claude Debussy

Alceu de Freitas Wamosy
Maintenant tout est gris sur lande nocturne...
F. Viellé-Griffin.


Chove cinza do céu. Todo o rosal ajoelha,
balbuciando uma suave oração de perfume.
Não há, no firmamento, uma sombra vermelha:
— Tudo é ausente de cor — tudo é viúvo de lume.

A tristeza do instante em teus olhos se espelha,
minha estranha Quimera, ó sacrossanto Nume,
que acendeste em meu sonho a radiosa centelha
na qual todo o esplendor deste amor se resume...

Sob a chuva do espaço o jardim adormece.
E, sobre nós os dois, como um mistério, desce
a carícia da tarde, essa divina viúva.

Andam lábios errando, invisíveis, no ambiente;
e, morrendo de amor, dentro da luz morrente,
os nossos corações são Jardins sob a Chuva...


Publicado no livro Coroa de sonho: poemas (1923).

In: FILIPOUSKI, Ana Mariza. Alceu Wamosy. Porto Alegre: IEL, 1989. p.31. (Letras rio-grandenses
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