Escritas

Soneto 23

Odylo Costa Filho
Miguel Hernandez

Como o touro nasci mas para o luto
e a dor, e como o touro estou marcado
por um ferro infernal no meu costado,
por varão na virilha com um fruto.

Como o touro parece diminuto
tudo a meu coração desmesurado
e do beijo em teu rosto enamorado
como o touro de amor sonho e disputo.

Como o touro só cresço no castigo,
a língua no meu sangue anda banhada,
trago ao pescoço um vendaval sonoro.

Como o touro te sigo e te persigo,
e deixas meu desejo numa espada
como o touro enganado, como o touro.


Poema integrante da série Poemas Traduzidos.

In: COSTA, FILHO, Odylo. Cantiga incompleta. Pref. Heráclio Salles. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1971.

NOTA: Tradução de poema de Miguel Hernandez
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