Escritas

Janelas no Mar

Odylo Costa Filho
— No meio do mar, há janelas sobre janelas.
— A rede.
Adivinhação africana

Há sobre o mar janelas e janelas:
são redes, são cantigas e são velas.

Panos-da-costa vão se desdobrando
no mistério das águas flutuando.

A floresta é vencida pela areia
mas o mar só se curva à lua cheia.

Anda comigo, amada. O amor humano
pode descer ao fundo chão do oceano.

E ressurgir das águas e sobre elas
caminhar bem mais leve do que as velas.

O céu morreu nas mãos donas do espaço.
Resta a Terra. Tão só! Dá-me teu braço.

Vem comigo. O mar se abre à nossa dor
e os peixes pasmarão com o nosso amor.

E no silêncio móvel copiarão
nossos gestos contidos de paixão.

Luanda, 1967


Poema integrante da série Arca da Aliança.

In: COSTA, FILHO, Odylo. Cantiga incompleta. Pref. Heráclio Salles. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1971
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