A Flor e a Fonte
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Cantava, levando a flor.
"Deixa-me, deixa-me, fonte!"
Dizia a flor a chorar:
"Eu fui nascida no monte..."
"Não me leves para o mar."
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
"Ai, balanços do meu galho,
"Balanços do berço meu;
"Ai, claras gotas de orvalho
"Caídas do azul do céu..."
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror,
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.
"Adeus, sombra das ramadas,
"Cantigas do rouxinol;
"Ai, festa das madrugadas,
"Doçuras do pôr-do-sol;
"Carícia das brisas leves
"Que abrem rasgões de luar...
"Fonte, fonte, não me leves,
"Não me leves para o mar!..."
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor...
Publicado no livro Rosa, Rosa de Amor: poema (1902).
In: CARVALHO, Vicente de. Poemas e canções. 17.ed. São Paulo: Saraiva, 196
Comentários (4)
Poema inesquecível, da minha infância. Profundo sentimento marcou minha alma
Declamava no colégio Estela Mares, no qual estudei. <br />Era parte da coleção que os filhos de Artur Leal Diniz, meu pai, tinham que ler em sua vasta biblioteca que, ao ser alfabetizados nós começamos por uma enciclopédia infantil chama O MUNDO DA CRIANÇA, que possuía 12 ou 16, não lembro ao certo e após esta íamos passo a passo elevando o nível de leitura até que, após lermos todos os livros de Monteiro Lobato , obra totalmente destruída pela globo, ficávamos livres para escolher romances dos mais variados. Dostoiévski era difícil mas depois de lê —lo duas vezes em diferentes etapas da minha vida . Compreendi-o e fiquei fanática. <br />Onoré de Balzac, Que quase ninguém sabe quem foi, me trouxe uma experiência única. <br />Agradeço muito esses autores que mudam nossa alma! <br />Serei injusta com outros que não citarei, porém é uma lista enorme.
Lindo poema que me keva aos dias da minha adolescencia
É um poema lindíssimo, nos remete ao desapego. Deixemos tudo pq novas vidas surgirá! Amo muito, um poema para todas as épocas!
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