Escritas

Sob os Ramos, 1907

Pedro Kilkerry
É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,
No meu cavalo — sob a loira poeira
Que chove o sol — e vai-me a vida inteira
No meu cavalo, pela estrada afora.

Ai! desta em que te escrevo alta mangueira
Sob a copada verde a gente mora.
E em vindo a noite, acende-se a fogueira
Que se fez cinza de fogueira agora.

Passa-me a vida pelo campo... E a vida
Levo-a cantando, pássaros no seio,
Qual se os levasse a minha mocidade...

Cada ilusão floresce renascida;
Flora, renasces ao primeiro anseio
Do teu amor... nas asas da Saudade!


In: CAMPOS, Augusto de. ReVisâo de Kilkerry. São Paulo: Fundação Estadual de Cultura, 1970
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Comentários (1)

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Gaby
Gaby
2023-05-25

É no Estio. A alma, aqui, vai-me sonora,<br />No meu cavalo — sob a loira poeira<br />Que chove o sol — e vai-me a vida inteira<br />No meu cavalo, pela estrada afora.<br /><br />Ai! desta em que te escrevo alta mangueira<br />Sob a copada verde a gente mora.<br />E em vindo a noite, acende-se a fogueira<br />Que se fez cinza de fogueira agora.<br /><br />Passa-me a vida pelo campo... E a vida<br />Levo-a cantando, pássaros no seio,<br />Qual se os levasse a minha mocidade...<br /><br />Cada ilusão floresce renascida;<br />Flora, renasces ao primeiro anseio<br />Do teu amor... nas asas da Saudade!