Escritas

Vozes da Morte

Augusto dos Anjos
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos!

Pau d'Arco, maio, 1907


Publicado no livro Eu (1912).

In: REIS, Zenir Campos. Augusto dos Anjos: poesia e prosa. São Paulo: Ática, 1977. p.90-91. (Ensaios, 32
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Comentários (4)

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Ellen
Ellen
2022-08-18

Queria saber como explicar esse poema.

Taynara
Taynara
2022-05-23

Como explicar esse poema<br />

Flávia
Flávia
2022-03-30

Tope

Snorky
Snorky
2020-11-19

Tra la la,tra la la la,tra la la,tra la la la,One Banana,Two Banana,Three Banana Four,Four Banana make bunch so for anymore