Escritas

Ideal

Fagundes Varela
Não és tu quem eu amo, não és!
Nem Teresa também, nem Ciprina;
Nem Mercedes a loira, nem mesmo
A travessa e gentil Valentina.

Quem eu amo te digo, está longe;
Lá nas terras do império chinês,
Num palácio de louça vermelha
Sobre um trono de azul japonês.

Tem a cútis mais fina e brilhante
Que as bandejas de cobre luzido;
Uns olhinhos de amêndoa, voltados,
Um nariz pequenino e torcido.

Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!
Mais mimosos que uns pés de criança,
Uma trança de seda e tão longa
Que a barriga das pernas alcança.

Não és tu quem eu amo, nem Laura,
Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;
A mulher que minh'alma idolatra
É princesa do império chinês.


Publicado no livro Vozes da América: poesias (1864).

In: GRANDES poetas românticos do Brasil. Pref. e notas biogr. Antônio Soares Amora. Introd. Frederico José da Silva Ramos. São Paulo: LEP, 1959. v.2, p.11
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Comentários (4)

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Dio
Dio
2024-01-22

Literalmente eu

Clebinho da pica tortona pra direita
Clebinho da pica tortona pra direita
2019-06-04

Muy bueno mis amiguitos, sólo gratitud.

mayane
mayane
2017-04-05

Esse poema e muito bonito

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2013-10-21

<div style="text-align: left;"><span style="font-size: 26px;">?</span><span style="font-size: 18px;">?<span style="color: #c00000;">eu &nbsp; &nbsp;adorei &nbsp; &nbsp;este &nbsp; &nbsp;poema<br /> <br /> <br /> <br /> </span></span></div>