O Caipora
Juvenal Galeno
â No meio da mata, menino, nĂŁo corras,
Que o vil caipora
Agora,
Nesta hora
Passeia montado no seu caititu;
E arteiro e malino
Se encontra o menino...
Ai dele! que o leva no seu grande uru!
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Seus olhos pequenos sĂŁo negros, e feros,
Quais d'onça, luzentes,
Ardentes...
E os dentes
São como os do mero, ferinos, cruéis;
E o duro cabelo,
Assim, como o pĂȘlo
Dos bravos queixadas, que são-lhe fiéis.
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Qu'ousado e valente o tal caboclinho,
De penas coberto,
Esperto...
Decerto
Se vĂȘ-te quer fumo, pedir-t'o lĂĄ vem;
Se acaso lh'o negas,
Se nĂŁo lh'o entregas,
Quem é que te salva? Lå vais ao moquém!
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Se acaso te encontra... lĂĄ vais para a grota
Debalde lutando,
Gritando,
Chorando,
Na embira amarrado do seu grande uru!
NĂŁo corras menino,
Que o Ăndio malino
Na mata passeia no seu caititu!
E o louco menino
NĂŁo quis escutar;
Fugindo de casa
NĂŁo pĂŽde voltar.
In: GALENO, Juvenal. Lendas e cançÔes populares, 1859/1865. Introd. F. Alves de Andrade. 4.ed. Fortaleza: Casa de Juvenal Galeno, 197
Que o vil caipora
Agora,
Nesta hora
Passeia montado no seu caititu;
E arteiro e malino
Se encontra o menino...
Ai dele! que o leva no seu grande uru!
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Seus olhos pequenos sĂŁo negros, e feros,
Quais d'onça, luzentes,
Ardentes...
E os dentes
São como os do mero, ferinos, cruéis;
E o duro cabelo,
Assim, como o pĂȘlo
Dos bravos queixadas, que são-lhe fiéis.
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Qu'ousado e valente o tal caboclinho,
De penas coberto,
Esperto...
Decerto
Se vĂȘ-te quer fumo, pedir-t'o lĂĄ vem;
Se acaso lh'o negas,
Se nĂŁo lh'o entregas,
Quem é que te salva? Lå vais ao moquém!
Menino, nĂŁo corras
Na mata a brincar,
Que o vil caipora
Te pode levar.
Se acaso te encontra... lĂĄ vais para a grota
Debalde lutando,
Gritando,
Chorando,
Na embira amarrado do seu grande uru!
NĂŁo corras menino,
Que o Ăndio malino
Na mata passeia no seu caititu!
E o louco menino
NĂŁo quis escutar;
Fugindo de casa
NĂŁo pĂŽde voltar.
In: GALENO, Juvenal. Lendas e cançÔes populares, 1859/1865. Introd. F. Alves de Andrade. 4.ed. Fortaleza: Casa de Juvenal Galeno, 197
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