Escritas

Caboclo-d'Água

Henriqueta Lisboa
Caboclo-d'água Ô
caboclo-d'água.

Caboclo-d'água
vem de noite
— assombração.

Caboclo-d'água
molengão
tocando viola.

Caboclo-d'água
vá-se embora
vá-se embora
caboclo-d'àgua
não me chame
não!

A chuva é muita
sobe o rio
no barranco.

O vento chora
mais que reza
uma oração.

Acende a vela
minha gente,
eu tenho medo.

Eu tenho medo
de afogar
na escuridão.


Publicado no livro O Menino Poeta (1943).

In: LISBOA, Henriqueta. Obras completas I: poesia geral, 1929/1983. Pref. Fábio Lucas. São Paulo: Duas Cidades, 1985. p.87-8
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