Escritas

Canto Oitavo: Libertação do Cavaleiro

Carlos Nejar
IV

O vento com seu cavalo
rompe a epiderme do susto,
retesando os duros músculos
avança com o sol ao meio.

Rasga o relincho no valo
e vai seguindo o roteiro,
maduro de campos claros
e horizontes escuros.

A tarde segue o cavalo
e o casco do sol percute,
bigorna de rubro talo
com seu ferreiro de rumos.

Bate as esporas no malho,
as crinas e as asas duplas,
acesas e resolutas,
desdobram sombra e cavalo.

Qual o vento e o cavaleiro?
Rio de oliveiras se fende,
penetrando o desamparo
das andorinhas no pêlo.

Qual o vento e o cavaleiro?
Batem esporas na tarde
e a tarde maçã suspensa,
fica tremendo na haste.

Sobe a garupa da ponte,
o vento e seu cavaleiro,
rangem esporas no ventre
e o sol irrompe no centro.


Publicado no livro O campeador e o vento (1966).

In: NEJAR, Carlos. Obra poética I. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980. p.182-183. (Poiesis)

NOTA: Poema composto de 5 parte
1 115 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment