Escritas

A Jangada

Luís Guimarães Júnior
Cinco paus mal seguros e enlaçados
Vão através dos ventos tormentosos:
Neles confiam mais que jubilosos
Dois pescadores nus e desgraçados.

Essa prancha que em saltos arrojados
Corta o mar como os lenhos poderosos,
Resume a vida, a fé — resume os gozos
Dos miseráveis rotos e esfaimados.

Nós também, alma minha, as desventuras
Bem conhecemos: — forte e esperançada
Sulcas do mundo o pranto e as vagas duras.

Que importa! A crença é tudo e a morte é nada,
E neste fundo abismo de amarguras
Uma esperança vale uma jangada.


Poema integrante da série Terceira Parte.

In: GUIMARÃES JÚNIOR, Luiz. Sonetos e rimas: lírica. 3.ed. Pref. Fialho d'Almeida. Lisboa: Liv. Clássica Ed. de A. M. Teixeira, 191
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