Escritas

Rumo

Thiago de Mello
A Geir Campos


Somente sou quando em verso.

Minhas faces mais diversas
são labirintos antigos
que me confundem e perdem

Meu pensamento perfura
muros de nada, à procura
do que não fui nem serei.

Ante a carne fêmea e branca
meu corpo se recompõe
ofertando o que não sou.

Meu caminhar e meus gestos
mal e apenas anunciam
minha ainda permanência.

Para chegar até onde
não me presumo, mas sou.
sigo em forma de palavra.


Publicado no livro Silêncio e Palavra (1951).

In: MELLO, Thiago de. Vento geral, 1951/1981: doze livros de poemas. 2.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 198
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Comentários (2)

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Aurismar Queiroz
Aurismar Queiroz
2016-07-20

Gênio das palavras. Não consigo ver feiura num deus. Tiago Mello é um deus, dele só emana a beleza poética.

ana claudia
ana claudia
2015-11-20

Você é feio sem ofenças