Escritas

Não tenho que sonhar que possam dar-me

Fernando Pessoa Ano: 605
Não tenho que sonhar que possam dar-me
Um dia, vero ou falso, as rosas vãs
Entre que em sonhos mortos fui achar-me
No alvorecer de incógnitas manhãs.

Não tenho que sonhar o que renego
Antes do sonho e o recusar a ter,
Sou no que sou como na vida é um cego
A quem causou horror o poder ver.

Isto, ou quase isto... Só do sonho morto
Me fica uma imprecisa hesitação –
como se a nau (...)


22/11/1934
4 078 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment