Poética
Cacaso
Alguma palavra,
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.
Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.
Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.
Meu poema me contempla horrorizado.
Rio, 1965
Publicado no livro A palavra cerzida (1967). Poema integrante da série III. A Palavra de Dois Gumes.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.132
NOTA: "Poética" se apropria de motivos dos poemas "Psicologia da Composição" e "Antiode", de João Cabral de Melo Neto, e "A Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrad
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.
Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.
Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.
Meu poema me contempla horrorizado.
Rio, 1965
Publicado no livro A palavra cerzida (1967). Poema integrante da série III. A Palavra de Dois Gumes.
In: CACASO. Beijo na boca e outros poemas. São Paulo: Brasiliense, 1985. p.132
NOTA: "Poética" se apropria de motivos dos poemas "Psicologia da Composição" e "Antiode", de João Cabral de Melo Neto, e "A Flor e a Náusea", de Carlos Drummond de Andrad
Comentários (1)
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Lúcio Cleto Paiva Uchôa
2016-02-17
Uma poética assim é genialidade superior e absolutamente interessante ...
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