Escritas

Soneto XVII [Noites que são galeras cor do tempo

Paulo Bomfim
Noites que são galeras cor do tempo:
Velas de sombra pousam na paisagem,
E o silêncio desperta outro silêncio,
Nos mudos tripulantes que hoje somos!

Noites que são galeras cor da morte:
Quilhas de ônix e grandes remos de ébano,
Revolvem singraduras de luar
No mar atormentado de lembranças!

Noite que são galeras cor do espaço:
Grandes barcos de treva carregados
De abismos e de pétalas de luz!

Noites que são galeras que não voltam:
Um dia chegaremos ao refúgio
Das naus transfiguradas em passado!


Poema integrante da série Sonetos Brancos.

In: BOMFIM, Paulo. Sinfonia branca. São Paulo: Martins, 1955
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