Escritas

Aterrissage

Pedro Nava
Um risco nos íngremes
e queda vertical de reticência de sóis.

Brilhos mica,
facetas duras,
multiplicando a paisagem
como os olhos simultâneos de um inseto

Tropicão, trambolhão
salto
pulo
rodopio
e a bola, espirala, resvala, rebola,
encarola,
desenrola

e de novo
reta como uma bola,

rola...

ROLA
e voa e vai varando vertiginosa o vácuo vago
e assoviiiia fino no espaço oco...

UMA PEDRA ROLOU PELA ENCOSTA DA MONTANHA.


In: Pasta 72: Arquivo de Mário de Andrade. Instituto de Estudos Brasileiros - IEB/USP

NOTA: Mário de Andrade comenta esse poema em sua primeira carta a Pedro Nava, datada de 9 mar. 1925: "O lirismo inicial existe nos poemas que você me mandou e está muito bem exprimido, comoventemente, no Aterrissage (proponho Aterreação, Aterreagem, invente, que diabo!) quando você põe com maiúsculas aquela frase tão bela, concisa, simples, imensa 'Uma pedra rolou pela encosta da montanha' deslanchando uma comoção grande na gente. (...) O que eu tenho medo é que você fique nisso só e comece a escolher dentre as sensações de você as que milhor se prestam pra certas demonstrações ou emprego legítimo de certas realizações processuais da poética modernista. Muito cuidado, Nava, em não confundir poética com poesia
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