Escritas

Os Objetos

Odylo Costa Filho
No fechado silêncio dos objetos
mais simples mora um toque de magia.
De um só tijolo nasce a casa: afetos,
barro, sol, água, mesa, moradia,

e a presença tenaz das mãos humanas,
afeiçoando o mistério da existência
e dando às coisas mais quotidianas
senso de vida — e de sobrevivência.

Chardin, quando há dois séculos viveu,
uma arraia pintou, disforme, aberta
em sangue e dentes, agressiva e forte.

Veio o tempo e com ele emudeceu
muita glória que a moda julgou certa.
Aquela arraia sobrevive à morte.


Poema integrante da série Os Mirantes do Ilhéu.

In: COSTA, FILHO, Odylo. Boca da noite. Rio de Janeiro: Salamandra, 1979
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