Escritas

Encruzamento de Linhas

Felipe d’Oliveira
Núcleo de convergência no bojo da noite oval.
Lanterna verde
(amêndoa fosforescente
dentro da casca carbonizada.)
Longitudinal, centrífugo,
o trem racha em duas metades
a espessura do escuro
e, cuspindo pela boca da chaminé
as estrelas inúteis à propulsão,
atira-se desenfreado
nos trilhos livres.

Mas se o maquinista fosse daltônico
a locomotiva teria parado.


Publicado no livro Lanterna verde (1926).

In: D'OLIVEIRA, Felippe. Obra completa. Atual. e org. Lígia Militz da Costa, Maria Eunice Moreira e Pedro Brum Santos. Porto Alegre: IEL; Santa Maria: UFSM, 1990. p.65
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Comentários (2)

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Rui Almeida
Rui Almeida
2021-12-25

Adoro este poema.. o início é absolutamente original: núcleo de convergência ...

Rui
Rui
2017-08-06

Adoro este poema.