Escritas

Anoitecer

Raimundo Correia
A Adelino Fontoura


Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.


Publicado no livro Sinfonias (1883).

In: CORREIA, Raimundo. Poesias completas. Org. pref. e notas Múcio Leão. São Paulo: Ed. Nacional, 1948. v.1, p.120
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Comentários (4)

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Enrique
Enrique
2021-09-20

Lindo

Lia
Lia
2017-08-11

tempo

Lia
Lia
2017-08-11

Que maravilha eterno Raimundo Correia quanto se passou!

Carlos Alberto Silva Teixeira
Carlos Alberto Silva Teixeira
2017-07-07

Meu conterrâneo, saiu do seu torrão para deixar obras que se perpetuam no tempo.