Escritas

XIII [Ora (direis) ouvir estrelas

Olavo Bilac
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


Publicado no livro Poesias, 1884/1887 (1888). Poema integrante da série Via Láctea.

In: BILAC, Olavo. Obra reunida. Org. e introd. Alexei Bueno. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p.117. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira)
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Comentários (8)

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Ivânia
Ivânia
2021-07-15

Poema muito lindo! É notável a sensibilidade do autor em se relacionar com as estrelas, capaz de compreendê-las. Que momento maravilhoso!

Antonio
Antonio
2017-06-10

Que coisa linda!

Julio Spehar
Julio Spehar
2017-05-03

Minha falecida avó me apresentou Olavo Bilac a uns 20 anos atrás e essa poesia é tão profunda que só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas!

Marcus Vinicius Batista de Miranda
Marcus Vinicius Batista de Miranda
2017-03-15

Olavo Bilac, não meu príncipe, mas meu rei... Pela eternidade...

Maria Elisa
Maria Elisa
2017-01-30

Lindo só quem tem a sutileza para perceber a voz do silêncio que ecoam no finito do Universo!