Talhei, artífice de um morto rito,
Fernando Pessoa
•
Ano: 599
Talhei, artífice de um morto rito,
Na esmeralda de haver um mundo feito
Um brasão circunscrito
No anel em que é perfeito.
Fiz dele o símbolo de um prazer morto?
De um sonho por haver?
Não sei: a nau do sonho não tem porto
E é inútil querer.
Se isto não tem sentido, as rãs coaxam
O sentido que tem.
Vou ver se acho nos charcos onde as acham
Se afinal sou alguém.
15/09/1933
Na esmeralda de haver um mundo feito
Um brasão circunscrito
No anel em que é perfeito.
Fiz dele o símbolo de um prazer morto?
De um sonho por haver?
Não sei: a nau do sonho não tem porto
E é inútil querer.
Se isto não tem sentido, as rãs coaxam
O sentido que tem.
Vou ver se acho nos charcos onde as acham
Se afinal sou alguém.
15/09/1933
Português
English
Español