Escritas

Poema-Orelha

Carlos Drummond de Andrade Ano: 335
Esta é a orelha do livro
por onde o poeta escuta
se dele falam mal
ou se o amam.
Uma orelha ou uma boca
sequiosa de palavras?
São oito livros velhos
e mais um livro novo
de um poeta inda mais velho
que a vida que viveu
e contudo o provoca
a viver sempre e nunca.
Oito livros que o tempo
empurra para longe
de mim
mais um livro sem tempo
em que o poeta se contempla
e se diz boa-tarde
(ensaio de boa-noite,
variante de bom-dia,
que tudo é o vasto dia
em seus compartimentos
nem sempre respiráveis
e todos habitados
enfim).
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando,
mas de tal jeito urdidos
o jogo e a confissão
que nem distingo eu mesmo
o vivido e o inventado.
Tudo vivido? Nada.
Nada vivido? Tudo.
A orelha pouco explica
de cuidados terrenos:
e a poesia mais rica
é um sinal de menos.
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Comentários (8)

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Humberto Werneck
Humberto Werneck
2020-01-21

Atenção, esta cópia do poema contém alguns erros. Seria bom conferir com o que está nos livros de CDA.

alexandre 3
alexandre 3
2012-12-16

adorei kkk

Dandara
Dandara
2012-04-17

A-M-E-I-!

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2011-10-20

adorei

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2011-10-20

e legal mais olha la no youtube<br /> mlk do iporanga<br /> coloca que gosta