Escritas

Infância

Carlos Drummond de Andrade Ano: 20101
A Abgar Renault

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
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Comentários (5)

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Duarte
Duarte
2021-10-22

Meu professor de Literatura está deveras excitado com essa poema!<br />

Davi
Davi
2021-07-15

Interessante!!!<br />

Infância
Infância
2021-04-21

À infância de Carlos Drumond de Andrade tenho que admitir é bom

Sem sentido
Sem sentido
2020-12-02

Legal ??

larga desa vida e vai trabalhar meu
larga desa vida e vai trabalhar meu
2017-06-02

legal ne