Escritas

A falta que ama

Carlos Drummond de Andrade
Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?

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Comentários (4)

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Jehiely
Jehiely
2018-05-26

Esta muy interesante el poema me gusto.....???

peqque
peqque
2016-06-24

que bonito

maria genuino de almomega luz de vina dos santos
maria genuino de almomega luz de vina dos santos
2016-06-13

lindhaaa a poesia muitos versos encantadores que encanta a luz do luar muitas arvores coloridas muito vento a soprar muita agua muito sono muita alegria muito animo muito fervo muito rancor

josé roberto barranova
josé roberto barranova
2016-06-07

sublime