Escritas

O deus-verme

Augusto dos Anjos
Fator universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme - é o seu nome obscuro de batismo.

Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.

Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrópicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...

Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!

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Comentários (4)

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Este poema retrata a nossa putrefação!!!!
Este poema retrata a nossa putrefação!!!!
2026-02-05

Este poema retrata a nossa putrefação!

Gragas
Gragas
2022-04-04

A bebida só é um problema quando a caneca está vazia.

Fernando
Fernando
2021-09-09

Genial !!!

Laira
Laira
2020-08-01

Excêntrico