Escritas

A Meu Pai Morto

Augusto dos Anjos
Madrugada de treze de Janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
"Acorda-o!" deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

E sai para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma névoa no estrelado céu.

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!

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Comentários (1)

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franscleytton do carmo
franscleytton do carmo
2019-04-04 18:31

muito bom, embora seja PESADÃO